Olhou ao redor, um ambiente vitral, frio, cortante; pensou a respeito, porém o pensamento foi abruptamente interrompido com a visão de seus arquivos, a direita de sua mesa espaçosa, combinações perfeitas de pastas, enumeradas, etiquetadas e organizadas por cores e tamanhos, sentia-se reconfortado, estava tudo sob o mais perfeito controle, absolutamente harmônico;
Recolheu o olhar, e o tropeçou no porta retratos, sim, tinha uma bela mulher, rosto desenhado, seios firmes, e transavam freqüentemente, gostava da ausência de pêlos naquele corpo branco e curvilíneo, gostava do sexo, porém, só conseguia pensar no momento logo após o orgasmo, vazio, inquietante, a solução sempre era levantar e acender um cigarro, mesmo o gosto não lhe agradando, uma breve fuga.
Olhou novamente suas pastas – cromo terapia – mais alguns relatórios e estaria livre para retornar ao seio de sua família, e mais uma vez trepar e sentir-se esvaído, nada.
Range a porta, a maçaneta gira por cento e oitenta graus, escuta-se o salto sob o assoalho em tábua corrida, perturbação não era a palavra correta, mas era a única que conseguia associar; Natália, este era o nome, tinha feito de sua mulher um tipo de boneca barbie, bonita de olhar, terrível pra tocar, sentiu-se mal, só da cintura até o crânio, todo o resto pulsava.
Os olhos voltaram-se para as pastas, cores, vermelho ruge, amarelo sol, azul bebê – estão aqui os relatórios, tomei a liberdade de dividi-los por prioridade – dizia Natália;
Não olhou para as pastas, nem paras as cores, ao menos para os bicos ressaltados sobre a roupa de Natália, olhou para dentro de si, não enxergou, fechou os olhos, os esfregou; constatou – morto!
Levantou-se sobre os sapatos polidos, derrubou a mesa, atravessou a porta, venceu as escadas, encontrou a rua e correu, correu;
Não era suas roupas, não era os sapatos, ou o relógio, menos a cadeira estofada, neste momento não tinha mulher, não tinha secretária, ninguém não era exatamente a palavra, contudo era a única que poderia associar. Não era mais morto, era vivo, acelerou em passadas largas, não chegou a lugar nenhum, porém, chegou a si mesmo.
Sentou-se sobre o asfalto quente, repuxou a barra das calças que o ostentavam, chorou, apertou os punhos, queria morrer, mas estava vivo.
2 comentários:
uau! nunca fui plageada tão bem!
uahuahuha vc anda mto inspirado, conde Lipe!
congrats!
um beijão em vc!
lipe, postei vc nos meus dois blogs.
primeiro pq vc nessa mania de deletância pode um dia apagar os textos q eu gosto tanto e me deixar sem poder lê-los... e depois pra comprovar que vc fala demais POR QUE TEM MUITO A DIZER =)
te amo =*
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