terça-feira, 24 de junho de 2008

Reencarnação

Posso vê-los, como eram ingênuos, nem sequer podem imaginar como vão se magoar, como vão dizer coisas que nunca sequer pensariam, vão se agredir, pensar em divórcio, se divorciar, reatar, reentrar sempre pela porta dos fundos do mesmo ciclo vicioso, o amor, ou todos os sentimentos que quando juntos, este nome os tem atribuídos; vão ter filhos e quando os tiveram, vão pensar que se amam, após isto, vão apenas descobrir que só amam os filhos e logo após isto, vão descobrir, talvez com a maior dor que possam sentir, que não amam os filhos, talvez somente eles mesmos, ou talvez nem isto.

Todos os sonhos, todas as lendas contadas sobre as grandes paixões, o amor, os filmes, músicas, livros, todos os contos, todos os poemas e confidências contadas a respeito vão crivar-lhes a mente, e num tom cortante vão levá-los ao ódio, e este será crivado nas pobres crianças, que apenas sem poderem se defender, vão chorar.

Gostaria, exatamente agora, poder sacudi-los e dizer o quanto estão errados, não façam isso, não tenham filhos, não continuem, vão sofrer, causar sofrimento e no fim vão se odiar e odiar a vocês mesmos; os filhos serão o fruto resultante do cultivo despreparado; porém neste ponto eles ainda não sabem disto, e se alguém puder alertá-los, eles vão trocar promessas sobre como isto nunca acontecerá, ou sobre como o sentimento que eles agora mantêm eterno será.

Por favor, não façam isto, não se machuquem, se acreditam em um deus, implorem para impedi-los.

Mas não, vão continuar, vão refazer os passos que todos fazem, constituirão família, ou seria despedaçarão pessoas?

Qual o limite? Agressão? Dor? Morte? Talvez, neste mundo de amor e ódio, não haja limite, e talvez também por isto, deformidades como todos nós insistem em recomeçar uma vida e seguir os mesmos passos falhos de todas as outras vidas.

Por favor, não posso sacudi-los, mas parem agora.

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